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Presidente da Alems apresenta moção de apoio à árbitra de MS alvo de fala machista de jogador

Gerson Claro destaca qualidade da arbitragem e defende mudança cultural contra ataques de gênero no esporte

O presidente da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), Gerson Claro (PP), apresentou moção de apoio e congratulação à árbitra sul-mato-grossense Daiane Caroline Muniz dos Santos, que foi alvo de manifestações consideradas misóginas no exercício de sua função.

Durante leitura da moção na sessão desta terça-feira (24), Claro afirmou que a árbitra sofreu questionamentos relacionados ao seu gênero após atuação em partida entre o Bragantino e São Paulo.

O presidente da Casa de Leis afirmou que a situação foi classificada como reflexo de uma cultura que ainda naturaliza ataques às mulheres em espaços de destaque.

“Optei por apresentar uma moção de apoio, e não de repúdio, como forma de valorizar a trajetória e o desempenho da árbitra. Ela foi questionada em função do seu gênero. Entendi que o mais adequado seria reconhecer o seu trabalho e manifestar apoio”, afirmou.

O episódio envolveu um jogador de 24 anos que fez críticas à arbitragem após a partida.

 “Ele teve uma atitude infeliz, mas demonstrou humildade ao pedir desculpas posteriormente. Eu assisti ao jogo e a arbitragem foi equilibrada. A árbitra não marcou pênalti nem para o São Paulo, nem para o Red Bull Bragantino, e essa foi a melhor atuação do campeonato até o momento”.

Na avaliação do deputado, o foco do debate não deve se restringir ao ato isolado do jogador, mas sim à cultura de violência e intolerância ainda presente no país.

“O problema não é apenas o ato do jovem, mas a cultura que leva parte da sociedade a partir para a agressão”, pontuou.

Gerson Claro também destacou como positivo o fato de o próprio clube do atleta e a sociedade cobrarem uma postura diferente, sinalizando, segundo ele, que há avanço na construção de uma convivência mais respeitosa.

“O lugar de mulher é onde ela quiser”, concluiu o presidente.

Gleice Jane (PT) também apresentou moção de apoio à árbitra.

 “O que vimos nos últimos dias nos traz bastante preocupação. Ela foi acusada, julgada por um erro do jogador, os homens erram e a culpa é das mulheres. Assistimos vários casos, como o desembargador de Minas Gerais, de uma criança que foi estuprada quatro vezes e o estuprador não foi condenado.”

Ela citou também a situação do pai que matou os filhos em Goiás e se matou em seguida.

“Ele a traiu, se separou, mas não aguentou ela com outro e matou os filhos. O comportamento da sociedade legitima o machismo e a misoginia e não se impõe. Precisamos parar de culpar as mulheres.”

Fonte: Midiamax